terça-feira, 14 de junho de 2016

"Só o cheirinho, já cria água na boca"

Cuscuz de farinha milho
O Cuscuz é um prato típico de Cabo Verde, é  considerada como um bolo tradicional feito com farinha de milho e cozida a vapor num recipiente de barro especial, o Binde, também chamado cuscusera.
O cuscuz de milho é um dos pratos de Cabo Verde mais apreciado, com semelhança com a cachupa tradicional, há diferentes tipos de cuscuz, como cuscuz de milho, de trigo e farinha mandioca e entre outros. este prato é conhecido a nível internacional. os cabo-verdianos tanto aqui e na Diáspora desfrutam do sabor e do bom cuscuz quente de terra.


Ingredientes de como preparar o cuscuz:

1- pacote de farinha de milho da mais fina
1 -xícara de água morna
1 -xícara de açúcar
½ xícara de farinha de mandioca da mais fina

Modo de preparação: 

Junta-se as farinhas numa tigela. Borrifa-se a água e esfregando muito bem a farinha para que fique húmida, mas solta.
Acrescenta-se os outros ingredientes misturando muito bem. (Esta operação deverá ser feita com as mãos.)
Coloca-se água no cuscuzeiro e vai juntando a mistura, esfregando-se sempre com as duas mãos. Quando acabar, calca-se levemente com uma colher, tapa-se e leva-se ao lume.
Quando começar a soltar fumaça através da tampa, o cuscuz subiu e portanto está pronto,pode-se servir em fatias em quanto está quente, com manteiga quando está quente, ou ainda com leite de vaca, ou mel de cana.

Veja como se faz

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Desemprego:uma situação alarmante para a camada juvenil

O desemprego em cabo verde é um fenómeno social que está a afectar a sociedade, sobretudo na camada juvenil que está a ser uma situação alarmante. No entanto há muitos jovens licenciados que encontram-se  no desemprego.


De acordo com Lúcia Martins, jovem de 24 anos, recém-licenciados durante 2 anos está desempregada e apela para que o novo governo tome precauções e apostar mais nos jovens e cirar mais postos de trabalhos.

" Já la vao 2 anos que terminei a minha licenciatura, não é por falta da procura, mas sim pela mera escassez da oferta, ja tentei de todas as formas, mas não consegui nenhum emprego até hoje", afirma Lúcia Martins.

Realça ainda que, " o meu maior sonho é conseguir um trabalho. contudo o apelo que faço é que o novo governo deposite mais confiança nos jovens e crie mais postos de trabalho para que possamos contribuir para o desenvolvimento da sociedade e do país".

Já a Carmen Teixeira de 26 anos, licenciada em Gestão e Análise de Empresas, encontra-se desempregada há 3 anos, contudo diz que está cansada com este problema.

"Estou desempregada há 3 anos, já fiz de tudo que uma pessoa está desesperada possa fazer  para ter um trabalho digno, reforça ainda que se não há emprego que é melhor fecharem as portas das universidades, sabendo que que não há empregos", diz Carmen Teixeira.

Contudo, o desemprego é uma problemática alarmante para a sociedade. no entanto  para muitos jovens  planos e projectos não faltam, aguardam as oportunidades.

"À procura do ganha pão"

O comércio informal é um factor que está a preocupar as autoridades, e por esta causa foram construídas recintos com condições para acolher vendedeiras que não tem espaço para expor os seus produtos.o objetivo da Câmara Municipal é criar condições para que possam ter espaços adequados onde possam expor os seus produtos de forma digna e bem conservada.

Para Janete Lima de 33 anos, vendedeira, o comércio informal é a única solução que veja como o elemento essencial para o sustento dos seus familiares.

"eu não fui para a escola, não tenho um outro ramo de sobrevivência que possa ser útil para a minha vida, começei a vender desde de muito cedo juntamente com a minha mãe, mas atualmente tenho o meu própio negócio, vendo verduras, no mercado sucupira mas do lado de fora, e isto é uma luta, porque os ficais vivem a nos espionar para tomar os nossos produtos. no entanto não tenho outras alternativas, pois tenho que continuar nessa luta para garantir o sustento dos meus filhos, conta Janete Lima".

Diferentemente da Janete Lima, é o caso da Natália Barros de 42 anos, vendedeiras de peixes e verduras, vendia no mercado da praia, e com a remodelação do marcado foi transferida para o semi-mercado na Várzea, ao pé da biblioteca Nacional.

"bom, eu sou vendedeira há mais de 15 anos no mercado da praia, tenho o meu espaço de venda ali, e espero que após a remodelação encontro aqui no mercado Várzea que não tem mínimas condições para o ser um local de venda, o ambiente é desagradável, os clientes vivem a reclamarem das más condições que o recinto apresenta.

Acrescenta ainda que, " o mercado da praia possui mais condições para vendas, pois é um mercado que tem mais visibilidade, eventualmente é o lugar que temos mais clientes. espero que quando voltar ali  teremos as nossas vendas tranquilas como anteriormente e que tudo corra bem para todas as vendedeiras, revela Natália Barros".

A prática do comercio informal, é por muitas pessoas considerada um ramo de sustentabilidade para os seus familiares, e muitos esperam que com a entrada do novo governo contorne a situação e amenize essa prática e para que todas as vendedeiras possam expor e vender os seus produtos de forma mais segura.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Famílias das vítimas do massacre de Monte Tchota recebem subsídio do Estado

O Governo  vai atribuir uma pensão de sobrevivência às famílias dos militares vítimas do massacre de Monte Tchota. A resolução aprovada esta quinta-feira na reunião ordinária do Conselho de Ministros, tem como base o estatutos dos militares das Forças Armadas Cabo-verdianas.
Os familiares dos praças terão uma pensão no valor equivalente ao salário de um primeiro cabo, ou seja, de 23 mil escudos e em relação ao sargento a pensão a ser atribuída é equivalente ao salário desse posto (40.000$00).

O Conselho de Ministros decidiu também atribuir uma pensão à família do civil cabo-verdiano assassinado no massacre, mas o valor ainda não foi definido.
O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, adiantou ainda que o inquérito sobre o massacre de Monte Tchota “já foi concluído” e que os resultados do mesmo serão divulgados oportunamente pelo novo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, Anildo Morais.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Odisseia de lazer, cultivo de valores e principios

Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente
Os centros infantis derivados da instituição máxima sendo esta, Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), organização governamental, suportado pelo governo, situado em Tira chapéu.

O ICCA é tutelado pelo Ministério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos. Tem como o principal objectivo Proporcionar as crianças e adolescentes dos Centros de Protecção Social, do Centro de Emergência infantil, do Centro “Nôs Kaza” e Centro Dia a oportunidade e o direito a convivência familiar; estimular e incentivar a reintegração familiar; transmitir o conceito de solidariedade, fraternidade, amor e o respeito; das finalidades fazer a planificação das actividades inerentes as épocas natalícias, que engloba todos os centros, tanto para os que centram na ilha de Santiago e para os que estão espalhados em outras ilhas. 

Centralizando em alguns centros situados na ilha de Santiago-Cidade da praia, tendo em referência o centro de emergência que reside em Achada Santo António e “Nôs Kaza”que fica no Plateau, apresenta-se algumas declarações.

Para Gilmara Freire, técnico-social, diz que o centro de emergência é um centro que acolhe as crianças vítimas de maus-tratos, negligência, abuso sexual, abandono da família e entre outras situações que põe em causa a integridade física e psicológica de uma criança.

“Este espaço tem capacidade para colher 30 crianças de ambos os sexos dos 0 aos 17 anos de idade, dispoe de seguintes espaços: um parque, sala de estudo, sala de refeitório e entre outros. A perspectiva para a festa de natal este ano será no centro de emergência no recinto parque por ser mais espaçoso, normalmente teremos visitas de outras crianças de outros centros como os centros de Picos e Assomada, conta Gilmara Freire”.
Acrescenta ainda que o centro de emergência é um centro que trabalha em prol do desenvolvimento das crianças, confeccionando actividades lúdicas e pedagogo, e actividades recreativas.

Igualmente, o trabalho desenvolvido pelo Centro “Nôs Kaza”, Criança fora da Rua dentro da escola que têm apresentado como uma acção positiva na vida de várias Crianças e Adolescentes.
“Este centro tem como principal objectivo, evitar o ingresso da criança e a sua permanência na rua, além de colocá-los a salvo de situações de risco tais como: exclusão social, exploração comercial, gravidez precoce, violência física, psicológico e sexual, trabalho infantil, dentre outros”, diz Filomena Dias, Coordenadora do Centro “Nos Kaza”.
“Nos Kaza”, tem o intuito de proporcionar o seu desenvolvimento integral, as crianças e adolescentes acolhidos são beneficiados com refeições quentes, formações e capacitação profissional, orientações educacionais e sociais, acompanhamento psicológico e incentivos a reintegração escolar e familiar. O Centro tem capacidade para acolher 60 crianças e adolescentes de ambos os sexos dos 6 aos 17 anos de idade.

Imigração: Realidade de alguns Africanos residentes em Cabo Verde

Apesar de, Cabo Verde passar por momentos de crise, muitos Africanos (Guineenses, Senegaleses, Nigerianos, Santomenses) que vive com dificuldades financeiras no seu dia-a-dia, alguns deles resolveram deixar o seu país natal e vieram para Cabo Verde a procura de melhores condições de vida para si e para os seus familiares.       

Anthony Obpavi de 38 anos, Nigeriano, residente em Cabo Verde, há oito anos, na localidade de Achada S. Filipe Praia.
“Quando cheguei em Cabo Verde não tinha conhecidos, no entanto tive dificuldades com a adaptação a cultura, inclusive no domínio da língua crioula que foi uma fase extramente difícil, isso dificultou muito a minha integração”, conta Anthony Obpavi.     
Acrescenta ainda, que anteriormente sentia-se rejeitado porque alguns Cabo-verdianos chamavam-lhe de “mandjaco”, masque já superou este problema, que considera uma mera ignorância.
Em 2009 abriu a sua própria Barbearia, diz que antes tinha mais rendimento porque havia poucas concorrências, mas actualmente aumentaram de barbearia no local, com isso o rendimento está fraco e não chega para ajudar os familiares no país de origem e nem para satisfazer as suas necessidades.

Mamadu Djaló, de 26 anos guineense, costureiro, encontra-se no país há três anos. residiu na localidade de Tira Chapéu Praia, por apenas dois meses. Posteriormente, por motivos pessoais teve que deslocar-se para habitar num outro bairro.
Ao contrário de Anttony Obpavi, diz que quando chegou em Cabo Verde não teve muitos problemas, tinha um irmão que vive em Cabo Verde ha 10, e isso ajudou-lhe muito. 
“Consegui um trabalho numa oficina, trabalhei  como mecânico na oficina por apenas seis meses, e foi desta forma que consegui juntar dinheiro, meses depois comprei uma máquina de costura e começei a costurar, tarefa que antes desempenhava na Guiné-Bissau”, afirma Djalo.        

Fatíma Cissokho de 39 anos de idade natural de Senegal residente em cabo verde há seis anos, casada, têm três filhos, (2 rapazes, 1 menina),é cabeleireira. Fathima ao contrário de Mamadu Ddjaló, não teve nenhum problema com a documentação, eu e a minha família somos legalizados. Cissokho, veio para cabo verde no ano de 2009, com o pedaço da sua vida juntamente com ela, (o seu filho primogénito). Anos depois reencontrou o seu esposo Victor Cissokho que vive em Cabo Verde a mais de 10 anos, no bairro de Fazenda na cidade da Praia, depois de muito bem estabilizada teve os outros dois filhos, ambos de nacionalidade cabo-verdiana.

“No início o filho mais velho, teve vontade de regressar para a sua terra natal por causa da má integração, mas agora se sente muito bem inserido na cultura. Porém declaro hoje que sou feliz com aquilo que construí durantes anos de luta e muita dedicação com trabalho e com a minha família", afirma Fatíma Cissokho . 

Contudo, com a semelhança de entre outros países, em que pessoas emigram para outras fronteiras e viajam pelas outras realidades, vivenciando  e enfrentar barreiras, de tudo isso é o que a vida oferece e dispõem, no entanto as emigrações derivam basicamente por motivos pessoais e profissionais com a finalidade de melhor e aperfeiçoar as condições de vida.

         

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Delinquência e o Submundo do crime

Delinquência Juvenil
A delinquência juvenil é um dos fenómenos sociais que está a afetar uma parte especial e sensível da população cabo-verdiana, tem ganhado contornos e dimensões alarmantes.
No mundo de hoje, as pessoas vivem com medo de sair as ruas, medo de enfrentar a sociedade, muitos até, com medo das suas próprias sombras. Ao sair para a rua, são obrigados a espreitar por todos os lados ao redor, fazendo uma volta de 360º, devido ao medo de serem atacados e agredidos pelos ditos “thug”.

“A Realidade do Ghetto”
De longe, com a aparência comum de uma casinha composta por uma janelinha e uma porta, que mais parece ser a porta de um armário da cozinha, onde está estampada a inscrição: “ Grupo Boston”, encontra-se o recinto onde o grupo se reúne para os seus banquetes, para pôr conversas em dia, traçar planos para ataques, odisseia e aventuras, mas também é o lugar onde fumam qualquer coisa. 

Segundo Rcik, (nome fictício), Este diz ter entrado no mundo da delinquência aos 14 anos, no ano de 2000, tendo pertencido aos primeiros grupos delinquentes na época. Abandonou os estudos e seguiu a sua vida como delinquente e mantém-se como tal até os dias de hoje.

“A mim o que me levou a entrar no mundo da delinquência juvenil, foi a realidade dentro da casa, falta de condições socioeconómicos, influência dos amigos, a falta de atividades para ocupação dos tempos livres. E até hoje não consigo superar esses problemas. Não consigo sair mais desta vida. Tenho 2 filhos uma menina e uma rapaz e não tenho outro meio para sustenta-los, a não ser roubar e atacar as pessoas dar “casubodi” sem dor sem piedade. Normalmente para dar “casubodi” costumo usar ferros, revólver, facas, gás e entre outros ferramentas. 

 Reforça ainda que, "o meu objetivo é de adquirir algo para mim e para os meus filhos. Já cometi tantos crimes que já perdi a conta, levei vários tiros, mas até então nunca fui para cadeia, e por isso não vou e nem penso em sair dessa vida, e muito menos abandonar “nhaghetto”. Não consigo ficar um minuto sem fumar “Txitxo”, ”conta Rick Tavares.
A revolta e o ódio são algo que permanecem e alimentam as suas almas. Para eles o mundo está cheio de inimigos, que a batalha contra o império deve se travar-se dentro das suas cabeças; o bairro onde vivem a vista é cega, o ouvido é surdo, o sabor é amargo, o sentir é áspero, e o aroma é enjoativo. O bairro onde vivem é clandestino, é dominado por eles e rejeitado por intrusos e difamado pelos outros. O mau olhar do policial não é nenhuma novidade para eles.

Contudo, a violência e a delinquência têm acompanhado o ser humano desde os primórdios e sempre estiveram presentes na história da humanidade, seguindo a evolução histórica da sociedade, desde os antigos gregos até às mais novas gerações. Neste mundo globalizado, infelizmente, os direitos humanos não estão sendo reconhecidos e respeitados por todos. E os que sempre sofrem os efeitos desse fenómeno, exigem uma vida sem intimidação ou ameaça, onde quer que estejam e dessa forma apelam à criação de condições para o bem-estar e segurança e mais dignidade humana. Se assim acontecer teremos certamente uma sociedade com outra face.